PAPAI NOEL É PAI DE QUEM?

       Nós estamos acostumados a falar sobre o Natal na figura do Papai Noel, principalmente as crianças. É comum falarmos com os nossos filhos que o ‘bom velhinho’ vai trazer os presentes de Natal caso eles tenham se comportado durante o ano.

       Quando vai se aproximando dessa data nós já começamos a citar algumas frases para os nossos filhos: “Olha se você não se comportar não vai ganhar presente de natal”, “Ih, o Papai Noel não vai trazer presente para você, não está sendo um bom menino”, “Papai Noel não gosta de criança mal educada”. E assim por diante.

       As expressões podem parecer antigas e até nos dar a impressão de ser uma tradição, mas essa forma de negociar com as crianças passa para eles comportamentos que não queremos que tenham no futuro.

       A negociação com nossos filhos é diária e uma forma importante de passar aprendizado para eles, porém quando fazemos dessa forma (com algo em troca de um sentimento) passamos a impressão que comprá-los ou mesmo suborná-los com presentes é algo que seja aceitável para a mudança de comportamento.

       É importante entendermos aqui que o fato de ganhar presentes, por mais que a criança mude o seu comportamento, não é uma condição que está associada ao sentimento.

       Em relação aos comportamentos é necessário primeiro a nossa atenção para entendê-los e identificá-los, tudo isso com muita empatia e compreensão. E a partir daí impor limites e definir estratégias para a sua solução.

       Além disso, devemos ensinar a criança a nomear esse sentimento para que ela também possa compreendê-lo e saber lidar com ele.

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Convite de Natal

       Convido vocês Pais a fazer uma reflexão séria e baseada apenas no aprendizado que estamos passando para os nossos filhos. O que o fato da criança ser bem comportada está relacionado a ganhar presente?

       E aí Pais quais respostas podemos chegar? É possível encontrar várias respostas, mas acredito que nenhuma que leve realmente a crer que presentes de natal compram bons comportamentos. O que fazemos aqui é repassar uma crença antiga e limitadora, que passam aprendizados mesquinhos (comprar pessoas) e antiéticos (suborno).

       Podemos dar um presente de natal diferente para os nossos filhos esse ano.

Vamos voltar ao Papai Noel…

       De qualquer forma, o Papai Noel é figura fácil nesse mês de dezembro. Diz a lenda que tudo começou com o bispo Nicolau Taumaturgo, que nasceu na Turquia em 280 D.C.. Existiram relatos que este homem distribuía saquinhos de moedas próximos às chaminés.

       A lenda do Papai Noel diverge em algumas nações do mundo como o fato do local de moradia do mesmo (Polo Norte ou Lapônia/Finlândia), elfos ou duendes, número total de renas (8 ou 9) e até seus trajes (Vermelho/branco ou vermelho/branco e verde).

       O fato é que o Papai Noel representa a figura de um bom velhinho, uma pessoa amorosa, bondosa e sempre muito gentil. Explicar a figura do Papai Noel com esses adjetivos é dar nome e associar características positivas e que nossos filhos entenderão com facilidade.

       Além disso, o Papai Noel, para muitos também representa o Natal (Aqui não estamos fazendo nenhum julgamento de valor sobre as religiões, apenas trabalhando em torno do senso comum), e com ele temos a possibilidade de falar sobre os seguintes sentimentos:

– Compaixão: As histórias de Natal e todo clima estão rodeados de compaixão, as próprias histórias religiosas evidenciam esse sentimento. É possível contar algumas histórias para os nossos filhos reforçando esse sentimento.

– Alegria: Época de comemorações e muita alegria entre as pessoas. O clima de Natal é de sorrisos e abraços. As crianças naturalmente já são alegres e nesse período devemos potencializar ainda mais essa emoção.

– Afeto: Momento em que estamos mais carinhosos e receptivos as pessoas. Agindo com uma escuta mais atenta, prestando atenção nos outros. É nesse momento que ensinamos nossos filhos a utilizarem do afeto para entender o próximo.

– Carinho: A proximidade com as pessoas faz com que sejamos mais amorosos. As emoções acima descritas são contagiantes e gentileza gera gentileza. Entramos num circulo virtuoso de afeto e carinho. As crianças sentem isso e inclusive ficam agitadas no Natal. Um bom momento para que elas entendam o motivo dessa energia para que no futuro possam utilizar quando necessário.

 -Família: Já vai chegando dezembro e começamos a planejar os encontros familiares. É uma tradição almoços e ceias em família. São praticamente dois dias de festas com muitas pessoas, excelente oportunidade para explicar aos nossos filhos quem somos e a importância do próximo.

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       O Natal é uma data que realça o brilho das pessoas. É momento de dar e receber sentimentos e emoções verdadeiros. Ficamos mais sensíveis e o nosso inconsciente está mais aberto as emoções. Nós pais precisamos perceber isso nos nossos filhos e aproveitar esse momento para instalar comportamentos positivos decorrentes dessas emoções que estão evidentes.

       É Natal e sempre será Natal para aqueles que conseguem aproveitar todo o clima de amor, carinho e afeto decorrente dessa data.

       Imagina restringirmos o aprendizado das nossas crianças apenas a necessidade de ganhar presentes enquanto temos a festa, as músicas, as comidas gostosas, as pessoas próximas, nossa família e o principalmente todo amor envolvido nesse momento.

       A troca de presentes é mais um momento a ser valorizado gerando também um sentimento de alegria e afeto entre as pessoas. Entretanto, não podemos nos restringir a eles.

            Ah! E o Papai Noel é Pai de quem? Isso eu não sei…