Série Especial Férias – Programe as férias com seu filho

            As férias escolares são um período do ano que sabemos que existe e teremos que nos programar para que possamos ter mais momentos com os nossos filhos. É uma excelente oportunidade para também solicitarmos férias no trabalho ou mesmo alguns dias de folga para que possamos ter mais tempo de interação com a criança fora da rotina normal.

            Em alguns casos é o período que temos para levar as crianças para ver os avós no caso daqueles que moram em outra cidade ou mesmo passar mais tempo com tios, primos e primas.

            Quando existe a possibilidade de viajarmos para uma cidade do interior ou mesmo algum outro local que possamos estar com parentes próximos podemos explorar uma série de situações novas que a criança não está acostumada no dia a dia.

Atenção:

            E quando isso ocorre é preciso estar atentos a alguns pontos:

  1. Novidades: Seja a primeira ou décima vez que a criança vai para outra cidade sempre haverá algo novo, seja pelo local ou mesmo pela descoberta de locais antigos a partir de uma nova idade (mudam as percepções sobre local e pessoas). Então perceba, entenda e aproveite esse momento com a criança;
  1. Rotina: A criança quando sai da sua rotina tende a ficar mais irritada ou muito agitada, justamente por não saber o que esperar ou por esperar demais. Por isso explique para ela como é a rotina da local e como as atividades irão se desenvolver, seja as divertidas (festas, churrascos, encontros) ou aquelas da casa (almoço, jantar, arrumação).
  1. Paciência: Lembre-se que o período de férias é de diversão, alegria e descanso. Se você se irritar com seu filho só vai trazer sentimentos negativos. Procure entender o que está irritando ele e promova uma solução antes que se crie um problema.

Assim, o período de férias é um momento mais íntimo entre os pais e os filhos e por isso deve ser construído dessa forma. Os pais que buscam sossego também em suas férias vão precisar negociar isso com os filhos para que ambos desfrutem das expectativas que criaram em relação a esse período.

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Sem noção

            Não vamos nem tratar aqui sobre o caso das famílias que saem de férias para a casa de algum parente ou mesmo uma casa de aluguel de veraneio e a mãe fica por conta de arrumar a casa e cuidar dos filhos enquanto o Pai é efetivamente a única pessoa de férias.

            Esse modelo não se encaixa no formato de parceria e companheirismo de uma família ou de pais emocionalmente saudáveis. Caso isso esteja acontecendo sugerimos procurar um apoio ou uma reflexão mais profunda sobre o sentido da sua vida.

Eu e o Miguel

            Em recente viagem de férias com o Miguel pude perceber pouquíssimos casos de pais que viajam sozinhos com seus filhos, diria até que seja algo muito raro e não percebi caso similar em restaurantes, hotéis, parques ou aeroporto.

            Você deve estar ouvindo aquela voz dentro de você falando “é claro que não, o correto é viajar a família toda”, ou seja, com pai, mãe e filhos todos viajando no mesmo momento.

            É verdade! Esse tipo de situação eu percebi em muitos lugares e realmente é a mais comum, mas também vi muitos casos de mães viajando sozinhas com seus filhos, mães com avós e filhos, e avós e netos. Existiam vários desses casos e pouquíssimos de apenas pais que viajam com seus filhos.

Pais e filhos

            Não temos comprovar ou mesmo debater o porque das outras situações  serem mais evidentes e por isso não vamos fazer suposições sobre as diversas opções que podem existir para os casos acima expostos.

            A questão é que Pais e filhos viajando somente os dois foi uma constatação de que é muito difícil de acontecer. Não vamos aqui também discutir os motivos disso mas aproveitar para realizar algumas observações importantes sobre esse fato.

            A viagem que fiz com o Miguel (já existiram outras, mas essa foi a primeira para destino mais “família”) foi uma experiência única de intimidade e entendimento do mundo dele e da nossa relação enquanto pai e filho.

            Acredito que ela foi além dos momentos de alegria, proporcionando um conhecimento melhor sobre os papéis que desempenhamos na vida de cada um e as expectativas que temos um em relação ao outro.

            É fato que o Miguel tem 5 anos e não entende isso de forma racional ou consciente, mas é nítida a mudança de comportamento a partir de atitudes cotidianas. Ou seja, tornou-se mais amigo, companheiro a atento as suas necessidades como vestir roupa, tomar banho, comer ou mesmo negociar um passeio ou brincadeira.

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Viagens em família

            Por outro lado presenciei diversas situações em que pais e mães estavam com os filhos demonstrando total falta de paciência com questões simples, como a hora de jantar ou mesmo para negociar um passeio ou brincadeira.

            É possível identificar quando a pessoa já está irritada com algo e isso geralmente ocorre quando um valor dela é quebrado ou não está sendo realizado. A minha percepção foi a de que nem todos poderiam ou efetivamente estavam naquele sentimento de tranqüilidade e paz que as férias proporcionam para cada um de nós.

            A questão é que a pessoa pode até conseguir alguns dias de folga, mas se não estiver emocionalmente presente naqueles momentos com a esposa, filhos e até mesmo pais e irmãos, ela não vai conseguir ter os benefícios que espera alcançar.

Viagem estressante

            Ao contrário, uma pessoa nessa situação além de não curtir as férias vai voltar mais estressada, porque além de não cumprir os compromissos do trabalho também não conseguiu cumprir os compromissos (divertimento, paz e tranqüilidade) das férias.

            E aí é comum ouvirmos frases do tipo “fulano saiu de férias e voltou mais estressado”, “a gente sai de férias e volta mais cansado” ou mesmo “ainda bem que essas férias acabaram”.

            Existem casos que pais e mães não vêem a hora das férias escolares dos seus filhos chegarem ao fim como se isso fosse algo inesperado. Ou seja, todos os anos, geralmente existem 15 dias em Julho e 45 dias entre a segunda quinzena de dezembro e o início de fevereiro. Não tem mistério.

            O que eu quero dizer é que as férias não são uma surpresa e precisam ser bem planejadas e negociadas com todos os membros da família. É verdade que em certos momentos, um dos membros pode não estar tão disponível para viajar e a situação geralmente se desdobra para não realizar a viagem ou mesmo realizar o passeio com alguns dias a menos (o que gera o estress a mais por não poder viajar).

            Isso ocorre muito em função do sentido de pertencimento que temos em relação as pessoas e assim jogamos a responsabilidade da nossa diversão para o outro como se fosse possível alguém nos dar aquilo que não conseguimos encontrar dentro da gente.

            …mas esse é um assunto para o próximo post.

            Viaje com seu filho!!!

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