Back to School

As aulas voltaram e com isso as rotinas dos nossos filhos vão se estabelecendo novamente. Em contato com alguns pais nesse retorno as aulas pude perceber alguns anseios, os quais eu quero dividir com vocês.

 

Aproveitando sobre o tema da autoestima que estamos falando no blog precisamos reforçar a nossa comunicação nessa fase, que é uma das principais experiências da criança nos primeiros anos de vida.

 

A seguir vamos aos principais casos que fomos procurados aqui no Blog:

Escola nova

A criança está indo para uma escola nova e vai passar por novo processo de adaptação com professores e novos coleguinhas. Se for o primeiro contato com a escola, ou seja, a primeira vez que a criança vai a escola é possível que o processo seja um pouco mais longo atingindo até o meio do ano.

 

Nesse caso os pais precisam prestar muita atenção ao comportamento da criança e trabalhar diariamente a sua confiança para esse primeiro grande desafio.

 

As crianças que não estão mudando de escola, geralmente, apresentam as mesmas reações, porém num prazo menor de tempo, durando apenas alguns dias.

 

Em ambos os casos podemos gerar mais confiança nos nossos filhos por meio da atenção ativa, comunicação cooperativa e do entendimento dos seus sentimentos.

 

E como saber o que ele está pensando sobre a escola nova?

É comum pegarmos os nossos filhos na escola e realizar as seguintes perguntas: “E aí filho foi tudo bem na escola?” Qual a provável resposta: “sim” ou “tudo bem”. E aí inicia-se um interrogatório que possivelmente não trará novas informações a não ser sim e não. Vamos a um exemplo prático para que você pai e mãe possa avaliar qual situação mais se identifica:

 

Diálogo provável:

Pai: E aí filhão, como foi na escola?

Filho: Tudo bem.

Pai: É… e a professora (tia) nova é legal?

Filho: Sim.

Pai: E os seus amiguinhos novos são legais?

Filho: São (sim ou não).

Pai: Então você gostou da sua turma nova?

Filho: Sim.

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Esse diálogo foi fruto de uma conversa que tive com um pai sobre a reação do seu filho após os três primeiros dias de aula. E pelo que pude perceber é uma constante entre muitos pais.

 

As respostas são afirmativas ou podem ser negativas, mas não demonstram o sentimento da criança em relação a essa importante experiência.

 

E assim não conseguimos retirar deles exatamente o que mais precisamos, que é como de fato se sentiram no primeiro dia de escola. E por facilidade ou comodidade acabamos por aceitar as respostas e rapidamente mudamos de assunto.

 

Comunicação Cooperativa:

Assim, sugerimos adotar um modelo de comunicação mais cooperativo[1] ou colaborativo, o qual incentivamos as crianças a se comunicar com mais desenvoltura e clareza.

 

Diálogo cooperativo:

 Pai: Filho, qual a foi a coisa mais legal que você fez hoje no seu primeiro dia de aula?

Filho: Brincar no parquinho de areia.

Pai: Que legal meu filho, eu também adorava brincar no parquinho. E com quem você brincou?

Filho: Brinquei com o Pedro e o Rafael.

Pai: Então o Pedro e o Rafael continuaram na escola, que bom que seus amigos estão na mesma sala, e tem algum amigo novo?

Filho: Tem dois amigos novos papai.

Pai: E qual o nome deles?

Filho: Não sei.

Pai: E como foi brincar com o Pedro e o Rafael?

Filho: Foi bom, a mãe do Pedro vai cantar hoje no clube, a gente pode ir?

Pai: Claro meu filho.

 

E assim novos assuntos foram surgindo sobre música e o Miguel falou um pouco mais sobre a professora nova e a sala de aula que ficou maior que a anterior.

 

A comunicação e o desenvolvimento intelectual e emocional

A comunicação entre pais e filhos é a principal via de desenvolvimento intelectual e emocional nos primeiros anos da infância.

 

O cérebro da criança está programado para aprender e adquirir todas as habilidades intelectuais características do ser humano, mas para isso precisam do estímulo dos pais, e sem a conversação, não chegam a se desenvolver plenamente.

 

E a comunicação cooperativa que falamos acima é uma forma de ajudar e estimular os nossos filhos. Quando a criança se sente acompanhada na conversa e não interrogada, são maiores as chances dos nossos filhos se conectarem aos nossos pensamentos e entregarem as informações que precisamos para ajudar no seu crescimento.

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Primeiros dias na mesma escola

Mesmo no caso de quando a criança permanece na mesma escola é possível realizarmos o mesmo diálogo cooperativo com nossos filhos e assim descobrindo momentos especiais do seu dia.

 

O fato de permanecer na mesma escola (que foi o caso do Miguel) não exclui a necessidade de atenção nesses primeiros dias de aula. Continua sendo uma nova experiência que precisamos entender e saber como foi assimilada pelos pequenos.

 

Além disso, a necessidade de uma comunicação eficaz ou cooperativa como demonstrado nesse blog é primordial para o desenvolvimento intelectual das crianças, assim como para facilitar o seu crescimento pessoal.

 

Iremos falar mais sobre a comunicação cooperativa nos próximos posts explicando sobre: trabalho em equipe, colaboração, ajudando a pensar e aprendendo a decidir.

 

De qualquer é fundamental atuarmos com empatia e gerarmos momentos de troca de experiência com os nossos filhos. Ao utilizarmos desses conceitos e a partir dos exemplos das perguntas acima expostas criaremos um ambiente de comunicação cooperativa eficaz.

 

E esse texto encerra a série especial que fizemos para as férias. Apesar do tema central ter sido as férias todos os assuntos foram abordados sob a ótica da Inteligência Emocional para Pais.

 

Você que ainda não leu os textos desse tema pode acompanhar direto no blog ou nas redes sociais.

 

E se gostou, deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.

[1] Dr. Álvaro Bilbao – El cérebro del niño explicado a los padres