07 formas de passar os seus maiores medos para o seu filho

Os pais são a principal fonte de medos e crenças que os filhos podem ter na vida e precisamos identificar isso para que possamos entender exatamente como estamos passando os nossos medos para eles.

No texto “Seus medos podem virar os do seu filho, como saber e evitar?” falamos um pouco sobre alguns medos e crenças e como eles podem vir a ser repassados para o seu filho.

Agora vamos descrever 07 formas que usualmente fazemos isso e como precisamos estar atentos para não colocar barreiras para o desenvolvimento das crianças.

 

Desde o nascimento

Desde que nascemos já recebemos a primeira carga emocional de medo dos nossos pais. O primeiro banho, a primeira mamada, a troca de fralda, o cordão umbilical, as noites de sono. Tudo isso é motivo de medo e apreensão por parte dos pais, principalmente os de primeira viagem.

E isso para aqueles que tiveram um parto normal e sem nenhuma complicação. Agora imagina aqueles que sofreram em ver o seu filho no hospital por qualquer motivo. Nesse caso você pode aumentar pelo menos 10 vezes a carga de medo.

A ideia não é convencer os pais que esses medos não existem ou não são naturais, pelo contrário, esses medos são a proteção dos nossos filhos aos primeiros anos de vida, os quais eles realmente estão mais fragilizados. Não é a toa que somos a única espécie de mamíferos que necessita de cuidados iniciais em toda a natureza.

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O medo

O medo existe nesse período das nossas vidas e tem um efeito positivo para que possamos ter atenção focada na criança, tomando os mínimos cuidados. E nesse caso temos um bom exemplo dos efeitos positivos do medo.

Sim, agora que você já entendeu e avaliou como o medo pode ser positivo podemos analisar como ele pode ser negativo.

Os nossos filhos continuam a crescer e a medida do tempo vai ampliando a nossa carga de medo sobre eles. É o medo de não comer direito, de ver muita televisão, muita tecnologia, de não estarmos educando direito, de não brincar com outras crianças. Medo de o tempo estar passando depressa demais (aí também passamos ansiedade), de seguir maus exemplos (em muitos casos estão em casa e não percebemos) e até de morrer.

Enfim, já começamos a perceber alguns medos que talvez não fossem tão necessários e que já não tem mais aquele sentimento de proteção e sim de projeção. Isso mesmo, começamos a projetar os medos nos nossos filhos.

 

Como nós aprendemos a ser pais? Quem nos ensinou?

É capaz que muitos nunca se perguntaram isso e até mesmo nunca pensaram sobre isso, afinal não existe curso para Pais e nem mesmo ninguém que nos fale sobre isso e se houver algum problema levamos ao médico.

Neste caso podemos não ter uma educação formal sobre a paternidade ou maternidade, mas aprendemos com os exemplos dos nossos pais. Agimos com os nossos filhos mesmo por impulso ou no “automático” em relação às reações que temos a determinadas situações que envolvem emoções e sentimentos.

Nesse “automático” fazemos e passamos as mesmas lições que nossos pais nos passaram. Isso não quer dizer que seja bom ou ruim ou que estou aqui desfazendo da educação que tenhamos recebido. Não é isso.

Existe a plena convicção que nossos pais fizeram o melhor que podiam com as informações, conhecimentos e habilidades que tinham na época. Não temos como julgar isso, somente agradecer, se possível todos os dias, por tudo que eles fizeram por nós.

A questão é: Como você vai desenvolver os seus comportamentos para educar o seu filho de forma diferente?

Nos estendemos nesse assunto porque para explicar como os nossos medos foram passados pelos nossos pais, que pegaram dos nossos avós e agora estamos passando para os nossos filhos. Isso sim eu chamaria de “Herança Maldita”.

No texto “Você sabe quais são os medos que “herdamos” dos nossos pais?” descrevemos sobre alguns medos que recebemos dos nossos pais e passamos para os pequenos. Inclusive demonstra um exercício para que possamos identificar quais foram esses medos.

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Sendo assim identificamos 07 formas que passamos os nossos medos para as crianças:

  • #1 Inconscientemente: Essa é a versão “automática”. Falamos com os nossos filhos em diversos momentos e nem percebemos o que estamos falando, sendo que a criança, principalmente entre 2 e 6 anos, é literal. Ou seja, não vai interpretar o que foi falado.
  • #2 Desconhecimento: Se não conhecermos os nossos medos de forma clara e específica não saberemos identificar ou trabalhar eles com os nossos filhos. Voltamos ao exemplo da Barata, se temos medo de barata e demonstramos isso para os nossos filhos, logo eles também terão o mesmo medo.
  • #3 Controle Emocional: Imagine você com raiva ou triste e sem saber controlar ou identificar essa emoção, descarregando palavras em outras pessoas ou mesmo no seu filho. Você acredita que isso vai ajudá-lo de que forma? Não precisamos ser frios e calculistas, não é isso. A intenção é entendermos o real motivo do “descontrole” para que possamos trabalhar a sua verdadeira causa.
  • #4 Falar sem pensar: O ideal é sempre prestarmos muita atenção ao que falamos, principalmente perto das crianças ou diretamente para elas. Nem sempre isso acontece, mas se estivermos atentos podemos reverter a situação de forma rápida.
  • #5 Ditados de família: Sempre que você começar com uma frase como “diria minha avó…” ou algo do tipo, pense se é realmente isso que vai passar para o seu filho. A sabedoria daqueles que nos criaram, pais e avós, é indescritível, mas vivemos em outra sociedade e nossos filhos vão viver em uma outra que está sendo construída agora, por isso perceba se isso realmente vai ajudar ou limitar a ação dele.
  •  #6 Avós/escola/amigos: Muitos pais podem estar se perguntando, tudo bem eu consigo atender as formas acima descritas, mas e no contato com outras pessoas? Nesse caso, a partir do momento que estamos atentos as nossas crenças sabemos perceber aquela das outras pessoas e principalmente quando o nosso filho chega em casa com uma crença nova. Podemos trabalhar rapidamente e reverter isso com eles com uma ou duas conversas.
  • #7 Filmes/Desenhos: Apesar dos filmes e desenhos atuais conterem uma forte inclinação para superação do medo e promover a jornada do herói a partir do desenrolar dos episódios é preciso saber quais desenhos estão assistindo e os conceitos que são passados. Ainda existem desenhos que reforçam crenças e medos antigos e que já não fazem parte da nossa sociedade.

 

A partir dessas sete formas podemos perceber melhor como podemos trabalhar os medos que passamos para os nossos filhos e assim reverter possíveis limitações que poderíamos colocar neles e até mesmo potencializar determinadas ações.

Os textos relacionados ajudam a entender melhor o assunto e podem ser lidos aqui mesmo no blog a partir dos links.