Meu filho sofreu uma grande emoção, qual a mensagem devo passar a ele?

É inevitável que os nossos filhos venham a sofrer grandes emoções. Digo isso porque naturalmente não queremos que eles sofram nenhum tipo de dor, e muito menos aquelas que já sofremos e que nos causaram algum trauma.

Nós fazemos de tudo para que isso não aconteça, alguns até tornam-se pais super protetores ou mimam os filhos a ponto de abrir espaço para dores futuras sem nem perceber. Enfim usamos de tudo que podemos para evitar que eles sofram algum trauma.

                Mas será que realmente utilizamos de todas as nossas capacidades?

Num primeiro momento é importante entendermos um pouco sobre como a criança se desenvolve, principalmente entre 02 e 06 anos que é quando mais podemos interferir nos seus comportamentos futuros.

Nesse período e durante os próximos 20 anos ainda estamos desenvolvendo de modo fisiológico o nosso cérebro, ou seja, ele ainda está em fase de crescimento e adaptação na sua estrutura física e por isso não ocorrem ainda algumas conexões que entendemos como lógicas para os adultos.

A criança, principalmente nessa idade que falamos, não faz conexões ou interpretações lógicas como gostaríamos que fizessem e acabam agindo por impulso ou instinto. Isso porque partes do seu cérebro ainda não estão desenvolvidas.

 

                Conceito sobre o Cérebro

Em recente estudo, realizado por Dr. Daniel Siegel e Dra. Tina Bryson sobre neurociência aplicada as crianças, originou-se o Best seller mundial “O Cérebro da Criança” que relata como é o desenvolvimento das emoções relacionadas ao comportamento do cérebro em todo seu processo de evolução.

Segundo Siegel e Bryson, o cérebro esquerdo é lógico, literal, lingüístico (gosta de palavras) e linear (põe as coisas em sequência ou ordem). Podemos dizer que essa parte se preocupa com a letra da Lei. Enquanto que o cérebro direito é holístico, não verbal, se importa com o significado, com a experiência, é especialista em imagens e lembranças. Na mesma comparação falamos que esse lado se preocupa com os princípios da Lei, as suas emoções e experiências de relacionamento.

A partir desse conceito podemos entender mais sobre como ocorrem determinadas atitudes dos nossos filhos. Por exemplo: as crianças nos seus três primeiros anos de vida só desenvolveram o seu cérebro direito, ainda não tendo nenhuma capacidade de lógica e palavras, por mais que já saibam falar.

É importante reforçarmos esse entendimento para que possamos compreender algumas ações que os nossos filhos tomam e que iremos discutir aqui nos próximos posts. É possível que vocês estejam pensando: “Mas meu filho é tão esperto, ele já sabe sim entender o que eu digo” ou até “Hoje um menino de 3 anos já sabe até mexer no celular, alias eles já nascem sabendo”.

Na verdade eles estão usando da intuição e como atuam muito com o inconsciente acabam por realizar ações que ficamos admirados ou impressionados. Em alguns casos até porque nos afastamos muito das nossas próprias emoções.

                “Filhos inábeis na interação social tornam-se despreparados emocionalmente, carentes de afeto, sem limites, agressivos e desobedientes. Infelizmente, essa desestruturação familiar tem sido a regra nos lares brasileiros”. Dr. Gustavo Teixeira, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência, Mestre em Educação pela Framingham State University.

Para aqueles que não leram ainda é interessante revisar o texto “Como a Inteligência Emocional pode ajudar na criação dos filhos”.       

 

Tudo bem, já entendi! Mas como passamos a mensagem sobre as emoções?

Todos nós queremos que os nossos filhos tenham uma vida equilibrada, significativa e criativa, que vivam intensamente aproveitando cada momento, que construam relacionamentos e cresçam profissionalmente.

E para isso a nossa participação será fundamental para apoiar eles a se conectarem com as suas emoções, iremos fazer o papel de preparadores emocionais cientes da necessidade dessa integração. Esse conceito é fundamental para integrarmos as duas estruturais cerebrais da criança quando ainda estão em período de desenvolvimento.

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Por exemplo:

É possível identificarmos um exemplo para explicar de forma mais clara e evidente como podemos nos comportar para integrar as duas partes do cérebro e assim desenvolver as crianças emocionalmente.

Imagine que seu filho tenha sofrido um acidente de bicicleta, algo que para você talvez seja banal, por conhecer os detalhes, mas é bem possível que tenha sido o primeiro acidente dele ou aquele que ele mais se impressionou. Não sabemos ainda.

Em muitos casos os Pais usam as seguintes frases para o filho: “Isso não foi nada, logo vai passar”, “Deixa de bobeira, você vai sentir coisa pior”, “Pare de chorar, isso é bobagem” ou até mesmo “Quando casar sara”. Ao adotarmos essas atitudes estamos negando e desprezando uma experiência que nossos filhos acabaram de viver e deviam aprender com ela.

Ou algum pai ao ler essas frases acredita que realmente vai ajudar os filhos. É bem possível que essa seja a solução mais fácil e prática, mas eu garanto que também não é a melhor.

Nesse momento o mais indicado é sentarmos junto a criança e relatarmos que entendemos a dor que ela está sentindo (quem já caiu de bicicleta sabe a dor que é) e contar o inicio da história do acidente a partir do momento que você viu.

 

Importante: Não julgar.

Agora é o momento de integrar as partes do cérebro dela para que possa entender o que aconteceu e o aprendizado virá em seguida por meio do entendimento dela e não porque nós Pais falamos isso ou aquilo.

Pergunte como foi a queda e ajude a criança a descrever fazendo com que ela perceba o que pode ter causado o acidente e assim a mesma irá tomar mais cuidado e realizar o que aprendeu.

Na hora em que a criança começa a contar a história, o cérebro esquerdo organiza os detalhes e traduz a experiência em palavras, enquanto que o cérebro direito revisita as emoções que sentiu. Assim, ensinamos a criança a nomear as suas emoções, entender de onde surgem e como controlá-las.

Num primeiro momento de utilização da técnica a criança pode estar muito assustada ou não querer falar sobre o assunto, por isso é fundamental a atuação dos Pais. Criar empatia e conexão é essencial e podemos fazer isso falando sobre como entendemos o que ela está sentido e começando a contar a história.

Nessa série de post sobre traumas vamos falar mais especificamente de alguns casos e como podemos ajudar fisiologicamente a criança a integrar o seu cérebro de modo a aprender e crescer com as suas experiências.

Tenho certeza que os pais querem mais do que os filhos apenas passem ilesos por momentos difíceis, e sim que passem por eles com aprendizado e crescimento pessoal.

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