O castigo dos filhos pode ser para a vida inteira

O castigo é uma forma utilizada pelos Pais para que possam impor limites aos filhos que de alguma maneira desobedecem a uma determinada ordem ou imposição colocada por nós. Sendo o meio da penalização da criança em virtude da desobediência.

Nas últimas décadas o castigo foi visto como uma forma eficaz de imposição de limites pelos Pais, já que as famosas “palmadas” vêm sendo abolidas ao longo dos últimos anos. E assim o castigo ganhou evidência.

 

Quem nunca ficou de castigo?

                É possível que todas ou a grande maioria das pessoas que estão lendo esse artigo já tenham ficado de castigo pelo menos uma vez na vida. Mas, se lembram perfeitamente da importante lição que aprenderam naquele dia. Certo?

Não se lembram?! Ficaram de castigo, mas não se lembram da lição que tiraram desse dia? Uma coisa á saber o porquê ficou de castigo a outra e se lembrar, e identificar como esse difícil processo foi importante para sua infância e consequentemente para a vida adulta.

Agora peço imaginarem algo de positivo, uma qualidade, uma competência, qualquer coisa que você faça bem hoje. Você aprendeu isso estimulado pelos seus pais? Consegue se lembrar das palavras de incentivo?

Na minha experiência a maioria das pessoas nesse momento se lembra de algum tipo de incentivo que receberam na forma de um elogio ou mesmo em uma conversa, casos que podem parecer simples, mas que as fizeram um ser humano melhor.

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Comportamentos negativos ou positivos

                A tendência natural do ser humano é fugir muito mais da dor do que buscar o prazer, já vimos isso no texto: E você tem medo do que?

Nessa busca por fugir das suas dores, acabamos percebendo ou identificando muito mais os comportamentos negativos dos seus filhos. É comum reforçarmos nossas frustrações nas outras pessoas e infelizmente os nossos filhos são os primeiros a receber essa carga.

As condutas negativas são freqüentemente exploradas pelos pais, por meio de frases como: “Não pegue isso”, “Não corra”, “Não vai para esse lado”, “Não pula aí”, “Não fala assim”, “Não faça isso” e assim por diante. Isso com a desculpa de uma forte crença repassada por gerações: “As criança NÃO pode fazer o que quiser”.

No texto O PODER DO NÃO, demos o exemplo clássico de quando a criança chega em casa e mostra para os pais alguma peripécia que aprendeu sozinha com amigos como, por exemplo: plantar bananeira, dar uma cambalhota, ou outro movimento desses, nesse mesmo instante que o movimento é feito ela é reprimida por diversos “nãos” seguidos por “aí meu deus”, “nossa senhora” ou coisa do tipo.

Para a criança isso é confuso, já que na rua a ela é reconhecida pela sua nova habilidade, pela capacidade de fazer algo que outras não conseguem, é elogiada, é considerada incrível perante os amigos. Já em casa é reprimida e leva uma bronca por ter desenvolvido algo novo.

Esse é um caminho perigoso porque ao perceber que está sendo notada somente pela sua má atuação ou por seu comportamento negativo, ela entende que esse é um meio de chamar a atenção dos Pais e assim utiliza dessa estratégia sempre que se sentir sozinha.

No texto “Pais, como vocês percebem os sentimentos e emoções dos seus filhos?” (COLOCAR LINK) vimos o caso da Rafaela que ao sentir que estava sendo renegada pela família utilizou da estratégia de brigar com o irmão mais novo.

 

Porque não castigar a criança quando faz algo de errado

Quando colocamos a criança de castigo por algo que ela tenha feito de errado valorizamos os comportamentos negativos e os sentimentos de que ao se sentir mal poderá reparar o dano causado.

E pior, com o castigo a criança perde toda a sua dignidade sentindo-se culpada por algo que as nem sabe o que é. Somente após o choro e o pedido de desculpas que a mesma é perdoada pelos pais. Assim aprendendo que esse é um caminho valioso para a aceitação dos mesmos.

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Com certeza esse é um resultado que não queremos, mas que existe e podemos verificar diariamente nas pessoas à nossa volta. São aquelas que fazem o papel de vítimas e que sempre esperam mais dos pais e da sociedade porque não conseguem entender que tem a devida atenção.

Nessa situação o que o castigo traz de proveitoso para a criança? Em muitos casos o castigo é precedido de uma frase celebre “Você vai ficar de castigo para pensar o que fez”. Ok, interessante. E a criança sabe o que fez?

Os estudos recentes têm demonstrado que o nosso cérebro se desenvolve até os 20 anos e que até os 06 à 07 anos não temos uma capacidade muito grande de interpretação das nossas ações ou mesmo de entender coisas lógicas ou óbvias.

As crianças são literais, trabalham com o inconsciente e precisam receber mensagens assertivas, claras e positivas para que possam entender o que se quer delas. Mensagens como: “Eu já falei para não fazer isso” ou “Sai daí” não são muito esclarecedoras. Tudo bem, é uma ordem que pode gerar medo e assim uma reação da criança, mas não trazem conhecimento e evolução emocional.

O castigo assim como qualquer outra ação que seja tomada contra a criança deve ser precedido de muito entendimento, e da real evidência sobre o que de fato aconteceu para que a criança fosse desobediente.

As crianças por mais espertas que sejam para umas coisas não tem a mesma capacidade que os adultos de interpretar determinadas situações. Não possuem sequer a estrutura física do seu cérebro desenvolvido para isso.

Portanto, o castigo pode até ser uma solução se não for realizado com raiva, aos gritos e gerando medo na criança. O “cantinho do pensamento” pode até funcionar se tiver empatia e capacidade de entender e explicar para a criança o que exatamente foi feito de errado.

Nos próximos posts falaremos de condutas mais construtivas e positivas do que o castigo.