Raiva: Crise ou Oportunidade para Pais e Filhos?

Um clássico da comparação entre crise e oportunidade é a famosa expressão do ideograma chinês que dizem ser o mesmo para os dois significados. Na verdade a palavra crise em chinês é composta dos ideogramas “perigo” e “oportunidade”.

Essa representação é ideal para definirmos aquele momento de irritação ou raiva dos nossos filhos em que assumimos as mesmas emoções e quando percebemos já tomamos atitudes que depois nos arrependemos.

Não pelo fato de que não deveríamos agir, não é isso, e sim porque gostaríamos de ter agido de outra maneira. Este é um dos principais temas abordados pelos Pais nas sessões de Coaching e uma das emoções principais relacionadas a Birra.

Na verdade, quando esse momento de “crise” acontece é realmente o momento ideal para agirmos como preparadores emocionais dos nossos filhos e assim transformarmos um momento ruim em uma grande lição.

Não é fácil, eu sei!

Alguns vão até falar que precisam ter uma paciência de monge ou de um Buda. Também não é bem assim. Se entendermos o cenário teremos motivação suficiente para agir no sentido de ampliarmos a relação com os nossos filhos.

A crise pode ser uma coisa simples como um brinquedo que não comprou ou mesmo que se quebrou, uma nota ruim na escola, uma briga com o irmão ou até a decepção com um amigo. Não importa.

A questão aqui é utilizar dessas experiências negativas que acontecem com todas as crianças e fazer delas uma oportunidade de crescimento pessoal.

Por isso elencamos cinco passos para transformarmos um momento de crise em oportunidade:

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#1 Não Julgue: A primeira coisa a se fazer nesse momento é não julgar, ou seja, por mais que você tenha vivido experiência parecida, ela foi sua e com certeza não será a dele. Portanto, não julgue.

#2 Não ignore: Os nossos filhos estão aprendendo sobre os seus sentimentos diariamente. Quando ele sente algo e vem nos contar é porque foi algo relevante para ele por isso não ignore. Frases do tipo “Deixa isso para lá”, “Você é bobo de acreditar nisso” ou mesmo “Não foi nada”, só demonstram que você não acredita nos sentimentos dele.

 #3 Empatia: Demonstre empatia com a criança, aproxima-se dela, olhe nos olhos e diga que sabe o que ela está sentindo (você com certeza já passou por experiência parecida. Atenção: você entende o sentimento, mas a sua solução não é a dela). A empatia não é somente se colocar no lugar da outra pessoa é perceber e respeitar as suas emoções.

#4 Reconhecer: Ao começarmos a conversa com uma criança irritada ou com raiva devemos perceber a emoção que está dominando aquela situação e identificar o real motivo do seu surgimento, que geralmente não é o que a criança está falando. Precisamos ir um pouco além por isso a necessidade da empatia;

#5 Negociar: A partir do reconhecimento da emoção e do seu real motivo é a chance que temos de negociar uma solução que faça com que a criança perceba como pode utilizar daquele sentimento e assim conseguir o que quer com outro tipo de comportamento.

 

Os Pais que percebem a oportunidade de trabalhar as emoções negativas da criança sentem um grande alívio de realizar esse trabalho porque acabam por perceber que a raiva deixa de ser um sinal de rebeldia.

Os medos das crianças ficam mais expostos e em muitos casos acabam refletindo as nossas próprias sombras. Nesse caso, temos a oportunidade de trabalharmos o nosso autoconhecimento.

Nosso papel como preparadores emocionais dos nossos filhos cresce quando falamos de sentimentos e exercitamos técnicas de ouvir e solucionar problemas grandes ou pequenos.

Se demonstrarmos interesse ou preocupação e agirmos como sugerido nos cinco passos acima descritos, os nossos filhos vão perceber que somos um aliado nesse processo de crescimento e assim descobrimos como podemos colaborar uns com os outros.

E mais tarde numa eventual crise vai saber que pode contar conosco para que ajudá-los.

Você pode saber mais sobre as emoções primárias baixando o nosso e-book “Inteligência Emocional para Pais”.

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