Só podemos ser melhores que nós mesmos

No último sábado, anterior ao Dia das Mães, o Miguel disputou o primeiro campeonato de natação no clube onde ele faz aula. Lembram que contei para vocês como ele tinha medo de piscina e a forma como superamos isso?

O interessante é que em alguns dias depois que ele começou as aulas de natação e começamos a treinar juntos na piscina do clube, houve um campeonato de natação. E ao invés dele ficar chateado porque não iria nadar, ficou interessado e quis acompanhar o campeonato.

Ao ver os meninos nadarem ele ficou um pouco apreensivo pelo fato de quando entrasse para as aulas de natação iria precisar disputar o campeonato. Na época disse a ele que seria uma forma de aplicar o que ele havia aprendido nas aulas, mas que a escolha seria dele.

 

Campeonato de Natação

Depois de alguns meses de aula… Chegou a data de inscrição para o campeonato, e ele num primeiro momento disse que não queria participar, ficou um pouco receoso devido a distância que iria nadar (25 metros) e como havia treinado pouco, estava inseguro.

Ao ver que ele estava inseguro, e que a ideia o afligia de alguma forma, pude conversar com ele e perceber que o problema era realmente o fato de nadar a piscina inteira. Assim, propus que as próximas aulas fossem treinos e que eu combinaria isso com o Professor.

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Treinamento

Além disso, propus a ele que fossemos nadar juntos nos dias que ele não teria aula. Os treinos seriam realizados por mim e não pelo professor nesses dias. Então logo no final de semana já fomos ao clube e ele já nadou os 25 metros sem muita dificuldade.

Na verdade foi uma surpresa até para mim, que ainda não tinha visto ele nadar a piscina inteira sozinho. Quando nadamos juntos é para brincarmos e não sabia que ele já conseguia nadar ela inteira.

E assim seguiram os dias de treinamento até a data do campeonato.

No dia o Miguel chegou cedo ao clube e animado que os amigos também estariam participando e assim sentiu-se mais tranqüilo para participar da competição.

 

Conversa de Pai pra Filho:

Entretanto, ao iniciar os preparativos (trocar de roupa, sunga, touca e roupão) tive a seguinte conversa com ele:

                – Filho, o que você está mais gostando ao participar do campeonato?

                – Não sei papai, de tudo…

                – O que está vindo na sua mente (utilizam muito essa expressão no colégio) nesse momento?

                – Que eu tenho que ganhar.

                – Tá bom. E você tem que ganhar de quem?

                – Tenho que ganhar dos outros.

                – Filho, você tem que ganhar, mas você só tem que ganhar de você mesmo. Lembra que marcamos os tempos das piscinas que você nadou, quando treinamos. Lembra?

                – Sim.

                – Então, hoje você vai nadar no campeonato sem olhar para o lado, para os colegas, para mim, para sua avó e nem mesmo para sua mãe. Você vai pular na piscina e fazer o seu melhor tempo. Dar o seu melhor.

                – (Nessa hora apareceu um sorriso) Tá bom Papai.

 

E assim foi o Miguel para a Piscina e se divertiu, até que iniciou a bateria para pular na água. Nesse momento, devido a evolução dele nas aulas,  ele acabou competindo com colegas de uma categoria acima.

A prova dele era de demonstração devido a categoria, entretanto competiu com meninos que estavam fazendo provas classificatórias. E era o único de categoria inferior.

Nesse caso acabou chegando por último e apesar de toda nossa vibração e de ter ganhado medalha de participação, ele ficou extremamente chateado por ter chegado em último. Disse inclusive que não deveria ganhar a medalha.

Eu poderia explicar sobre prova de demonstração, o que vale é competir, espírito olímpico, entre outros, mas ele com os seus 6 anos de idade não saberia interpretar muita coisa disso.

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A melhor versão de si mesmo

Por fim, mostrei o relógio para ele e disse que eu estava orgulhoso porque ele havia feito melhor tempo dele e que fez igual havia prometido ao papai, que daria o seu melhor.

E assim ele assimilou um pouco sobre o fato de competir e dar o melhor de si não para vencer outra pessoa, mas sim para ser a melhor versão dele mesmo, que se encontra as forças que precisava para competir dentro dele e não nas costas de outro.

Após o término da primeira etapa da competição, fui comprar um lanche para ele e ao voltar percebi que ele estava com a roupa e não mais com a sunga e a touca. Perguntei o que havia acontecido e ele disse que não queria nadar a próxima prova (nado costas).

Ao falar isso percebi o mesmo medo que eu já conhecia e fiz uma associação com situação similar que havíamos vivido recentemente. Ele logo se lembrou da situação e percebeu por ele mesmo que o arrependimento de não fazer algo era pior do que o medo, e assim logo trocou de roupa e voltou para a piscina.

 

Lidando com os sentimentos

Essas situações acontecem diariamente com todas as pessoas. Medo, insegurança, raiva, tristeza, são emoções que lidamos na nossa vida e devemos estar preparados. A questão é que podemos preparar os nossos filhos para isso.

Assim como o professor de natação do Miguel que o ensinou a nadar, também podemos ser preparadores emocionais dos nossos filhos e assim ajudá-los a compreender e desenvolver as sua emoções.