Porque irmãos brigam tanto?

A história é sempre a mesma, quando ficamos sabendo da chegada de mais um filho nos preocupamos como será a reação o irmão mais velho. A tendência é acreditarmos que serão parecidos e gostarão das mesmas coisas, afinal terão a mesma educação.

Assim acreditamos que esse novo integrante da família será o seu melhor amigo. E sabemos que eles nascem e se tornam completamente diferentes.

Essa questão insiste em chegar nas sessões de Coaching para Pais e em muitos casos não aparece de forma direta por meio da implicância de um com o outro, mas também por outras formas como: agitação, vitimização, carência ou mesmo violência.

 

A chegada

                Quando chega um novo integrante para a família que já possui um ou mais filhos, os pais precisam ter cuidado para não dar a impressão de que o bebê é mais importante do que os outros filhos.

Como já vimos no texto sobre a chegada do irmão mais novo,  essa novidade precisa ser precedida de muitos cuidados. Saber valorizar todos os integrantes da família é uma importante ferramenta nesse processo.

No texto que falamos sobre autoestima, explicamos um pouco mais de como realizar esse processo de reconhecimento e carícias para os filhos que vão receber o irmãozinho.

A primeira dica é justamente fazer algo ao contrário do que é considerado comum por muitos Pais. Não pressionar os irmãos mais velhos para que se achem na obrigação de gostar do irmão que eles nem conhecem ainda. Pressioná-los pode ser o início de todo o problema.

A criança, como qualquer outro ser humano não gosta de ser obrigada a ter determinados sentimentos. Sabemos que isso não funciona dessa forma. Os sentimentos de amor e carinho precisam ser incentivados de forma gradual e harmoniosa. De modo que o irmão mais velho tenha o seu espaço e saiba desenvolver esses sentimentos.

                Em muitos casos os Pais me questionam sobre como realizar esse processo de desenvolvimento dos sentimentos dos filhos. Sendo este o trabalho que fazemos com ele tornando-os preparadores emocionais dos seus filhos.

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Nasceu, e agora?

O período de gravidez é um excelente “treino” para os Pais estabelecerem uma relação amorosa entre o filho mais velho e aquele que vai chegar nos próximos dias. Entretanto, é quando o “jogo” começa que papai e mamãe devem ter atenção redobrada as ações do irmão mais velho.

Os Pais tem nesse momento uma oportunidade única de ensinar ao filho valores como respeito, individualidade e compaixão. O primeiro passo é ensinar a criança o que significa compartilhar, aceitar e respeitar a individualidade de outra pessoa.

Esse passo pode parecer óbvio ou lógico como alguns gostam de chamar, mas é justamente o que não acontece na maioria das casas que possuem dois ou mais filhos. Isso mesmo, o que ocorre são exemplos de rivalidade, críticas e vingança.

O pior são os Pais que sem saber como tratar essa situação acabam estimulando esses comportamentos que podem não só provocar um verdadeiro transtorno no início dessa família quanto para a vida toda.

 

Então o que podemos fazer?

Desta forma os pais precisam tomar os seguintes cuidados:

# Comentários na Gravidez: Não existe nenhuma comprovação cientifica que os filhos ouvem os Pais quando ainda estão no útero das mães. Entretanto, também nunca ouvi nenhuma mãe negar que essa comunicação ocorria a todo instante. Por isso, cuidado com os comentários e as comparações que são realizadas mesmo antes do nascimento. Comentários como “Será que vai ser igual fulano”, “Mais um que vai fazer aquilo” e até mesmo “Como será em relação a isso ou aquilo”. Essas frases só geram: ciúmes, ansiedade e carência.

# Ciúmes: O ciúmes entre irmãos nasce da preferência que os Pais demonstram por um ou outro filho, dando início a uma eterna batalha entre eles. E isso é muito fácil de fazer já que um filho pode ter temperamentos mais parecidos com o Pai ou a Mãe.

# Amor: O amor que os Pais sentem por um filho pode ser sempre compartilhado para todos. Um exemplo: Em situações que um dos filhos faz algo maravilhoso é comum que os Pais demonstrem o reconhecimento por ele e enquanto o outro filho fica com ciúmes eles falam: “Não seja bobo, nós também te amamos”. Ou seja, além de um ser maravilhoso, acabam por negar os sentimentos do outro.
Façam com que esse amor seja compartilhado, inclua este filho nos elogios, faça com ele também perceba e deixe ele demonstrar isso para o irmão.

# Comportamentos: É preciso ter muito cuidado ao corrigir comportamentos dos irmãos na frente um do outro, principalmente se um deles está numa idade em que precisa reforçar alguma atitude. Lembrem-se, as crianças aprendem o que vivenciam com os Pais. Então se determinado comportamento está acontecendo, você é o responsável. E se a criança for a todo instante corrigida na frente do irmão pode gerar baixa autoestima e vergonha.

# Frases clássicas: “Porque você não pode ser igual ao seu irmão”, “O seu irmão é isso ou aquilo (negativo – falar mal)”, “Filho olhe o seu irmão, ele é sua responsabilidade”, “A gravidez do seu irmão foi mais tranquila” ou “A sua irmã dormia a noite inteira e não me dava trabalho”.
Percebam se vocês já ouviram ou falaram algo do tipo. Não é possível que eles construam um relacionamento saudável e afetuoso quando a principal referência que eles tem (os Pais) atuam de forma a desmerecer um ao outro.

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Honestidade e Franqueza

Nós precisamos ser honestos com nossos filhos, sem falar pelas costas ou criar um mar de lamentações. Entendo aqueles que têm dificuldade de falar dos seus sentimentos, talvez nunca tenham tido essa experiência com seus Pais. É exatamente o trabalho que realizo com os Pais, então percebo a sua realidade.

Entretanto, pessoas que falam mal das outras pelas costas agem desse jeito porque nunca aprenderam a expressar as suas emoções abertamente.  Seja franco com seus filhos, respeitando o ponto de vista deles, e assim aprenderão a ser francos com seus irmãos.

Dessa forma conseguimos ensinar aos nossos filhos mais um grande valor: compaixão. O fato de que nós podemos amar uns aos outros mesmo quando discordamos dele.

Além disso, precisamos dar aos nossos filhos liberdade para que ele desenvolva a personalidade dele, em vez de forçá-los a adotar a nossa. Como eles aprendem com que vivenciam é comum que sejam mais parecidos com o pai ou mãe e por isso o cuidado precisa ser ainda maior.

Devemos fazer de modo a desenvolver as suas personalidades, criar seres humanos emocionalmente saudáveis, que tenham capacidade de entender e sentir as suas emoções.

Assim podemos poupá-los dos sofrimentos que tivemos na infância e não repetir os mesmos erros que considera que foram feitos com você.

Os nossos Pais sempre nos deram o melhor. Agora é a nossa hora de fazer isso. 

                Aqui são Pais aprendendo juntos.