Como reagir quando nossos filhos fizerem BIRRA?

Imagine a situação de uma criança que acabou de jogar bola com seus amigos e devido ao horário, ou mesmo em função de outros compromissos, você precisa acabar com a brincadeira e a criança começa a chorar ou dizer que não vai parar de brincar.

É capaz de você até ouvir algumas coisas do tipo “Você nunca deixa eu brincar mais”, “Toda vez é isso, eu quero brincar e você não deixa” ou mesmo ela fica chorando no local onde vocês estavam brincando.

Essa situação é comum para muitos Pais que me procuram pelas redes sociais e no Coaching para Pais, e por isso vamos falar sobre o tema.

 

Isso já aconteceu com você?

O exemplo acima foi de uma brincadeira, mas pode ser visto também como a tradicional birra em supermercado ou mesmo em festas infantis. Geralmente quando isso acontece em lugares com outras pessoas o sentimento de frustração dos Pais é ainda maior e doloroso.

As respostas são aquelas já tradicionais que envolvem falar alto, gritar junto com a criança, fazer ameaças, até pegar pelo braço de forma pouco afetiva ou mesmo agressiva.

O fato é que essa situação realmente não agrada aos Pais e podem ter certeza que nem a criança. Quando a resposta a isso é mais agressão por parte de ambos, acabam por construir um ambiente perigoso na relação com os filhos.

Em muitos casos as soluções acima descritas “resolvem” temporariamente o problema, mas geram insatisfação em ambos os lados. Os Pais não gostariam de ter agido assim e nem a criança quer ser ameaçada de alguma forma.

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Porque agimos assim?

É possível que essa solução tenha sido aquela que você aprendeu com seus Pais e por isso tenha adotado com seu filho. Por essa razão, devemos separar esses dois momentos do porque fazemos isso e o que gostaríamos de fazer num momento de birra.

Os nossos pais fizeram o melhor que tinham, com o que tinham de melhor. Acredite sempre nisso. Essa premissa vai permitir fazer com que você possa mudar essa situação. É uma condição para mudança desse comportamento.

O trabalho com os Pais no Coaching começa exatamente por essa premissa. Ela precisa ser entendida e respeitada para que possamos caminhar num processo de ampliação da relação com os nossos filhos.

 

Qual a sua reação quando alguém grita com você?

Pense comigo, nessa situação em que você grita ou age de forma agressiva com a criança, qual o significado que você está dando para o seu filho? Você acredita que ele entendeu o motivo para não fazer a birra ou ficou com medo de você?

Se fosse uma situação oposta, em que seu chefe ou alguém da sua família gritasse com você. Essa é a melhor forma de entender alguma coisa ou de ser corrigido por algo que tenha feito de errado?

A resposta a essas perguntas são fundamentais para que possa entender a birra no seu filho. Se hoje com todos os recursos que você possui, não encontra entendimento quando alguém o trata assim, pode imaginar como o seu filho se sente na mesma situação.

Imagina que essa pessoa que fez isso com ele é aquela pessoa que ele mais considera como referência na vida, o herói dele, a pessoa que em que ele mais confia, age assim com ele. Como você acredita que ele vai lidar com esse medo?

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O que estou ensinando?

Nesse processo de aprendizado com os pais já ouvi diversas vezes que frases do tipo “Só eu olhar que ele já me obedece”, “Ele só obedece o pai, tem medo dele” ou “Só obedece depois de gritar”. Qual o sentimento da criança que tem esse tipo de ensinamento dentro de casa? Como você acredita que ele vai reagir no futuro em situações parecidas?

A resposta para isso, e vocês podem perceber em pessoas que estão ao seu lado ou até na sua família, é a mesma: medo. São crianças que desenvolvem o medo como algo que lhe impedem de se relacionarem, de falarem em público, de fazerem qualquer atividade diferente, de mudarem de vida quando necessário. Percebam isso agora, e vejam se faz sentido para vocês.

Por outro lado, o que fazer? Se não podemos intimidar por meio do medo, que é a forma como aprendemos, o que devemos fazer?

A criança chora, teima ou mesmo dá birra por algum motivo anterior a esse fato. Ela realmente não quer aquele copo no supermercado, jogar mais cinco minutos de futebol ou mesmo não ir embora da festa. Existe algo por trás disso que precisa ser trabalhado.

 

E o que é?

Esses fatores que geram a birra precisam ser identificados pelos Pais após o momento de birra ou mesmo ao seu final. A criança precisa lidar com a frustração, e somos nós que precisamos ajudá-la.

Perceba também que em alguns momentos outros fatores podem ser a verdadeira causa da birra, tais como a necessidade de mais atenção, de carinho, amor, qualidade do tempo. Isso sem falar nos aspectos fisiológicos de cansaço, fome e sede.

É nessa hora em que eles precisam ouvir menos “nãos” e começar a serem questionados de “Tudo bem, e o que podemos fazer para resolver isso?”.

É comum nas sessões de Coaching que os Pais nesse momento falem que dão atenção suficiente, até demais para os filhos. Entretanto a questão aqui não é o que você acha que está dando. É o que a criança acredita que está faltando. Sim! Vou contar uma novidade.

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Dica valiosa

Precisamos ouvir e nos conectarmos aos nossos filhos para que possamos viver a experiência deles. Entender que possuem vontades diferentes das nossas e que podem sim fazer outras escolhas.

É evidente que precisamos educá-los e acredito que essa é nossa principal missão como pais. O que não podemos é confundir educação com submissão. Educar é ter respeito pelo que a outra pessoa pensa e fazer com que ela entenda e sinta que pode agir de outra forma por si mesma. Não por imposição.

Ou você quer que seu filho seja submisso somente a você? Em relação a outras pessoas você quer que ele seja corajoso e defenda as suas escolhas, e como ele vai aprender a fazer isso? Qual modelo de conversa que ele teve em casa para agir assim?

No próximo post iremos falar mais um pouco sobre as ferramentas que podemos utilizar para resolvermos a birra de outro jeito. Se você quiser saber mais entre em contato conosco ou deixe seu comentário.