Três dicas para levar seu filho ao dentista sem traumas

 

O seu filho fica sabendo que precisa ir ao dentista daqui a 30 dias e já começa a sofrer contando os dias? E quando vai chegando a hora de ir é aquela tensão danada na sala de espera e entra no consultório quase a força? Isso pode causar realmente um trauma nele. E para ajudar você a fazer com que seu pequeno supere essa situação, siga essas 3 dicas práticas.

Essa situação é bem familiar para mim porque já vivi muitas vezes, e também já ouvi vários casos relacionados ao assunto nos meus atendimentos e por meio dos cursos e palestras.

A notícia boa é que mudar essa cena depende só de você, e ir ao dentista pode ser algo comum e corriqueiro como qualquer outra atividade que ele realiza no dia a dia. É fato que qualquer procedimento médico que vamos fazer está sujeito a algum tipo de dor, a questão é como vamos tratar isso.

A missão de levar o Miguel (meu filho de 6 anos) ao dentista é minha, e quando ele começou essa rotina sempre existia muito choro, lamúria e até desespero nas primeiras consultas. Logo isso mudou a ponto de recentemente a própria dentista afirmar que fica impressionada com a conduta dele.

Tudo começou quando descobri o que podia mudar em mim. É verdade! Não foi com ele. O início dessa mudança partiu de uma transformação que realizei em mim na forma como eu comunicava o meu significado de dentista para o Miguel.

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       Primeira dica:

#1 – Sua experiência com o dentista não é a mesma do seu filho:

Isso parece óbvio ou até mesmo lógico como muitos dizem quando nem percebem o que estão fazendo. Vamos fazer algumas perguntas para determinar melhor essa situação.

Você já ouviu ou falou alguma dessas frases para o seu filho: “Filho, eu sei que não é bom ir ao dentista, mas é para sua saúde”, “Filho, mamãe também tinha medo de dentista”, ou a tradicional “Se você não escovar os dentes, vai ficar cheio de bichinhos na boca e o dentista vai dar uma injeção bem grande”.

É possível que você tenha falado algo do tipo ou parecido para ele relacionando a sua experiência como se fosse a dele?

Se você já falou isso ou algo parecido acabou de passar a sua experiência negativa para ele. E como referência de vida que é para o seu filho pode ter certeza que as suas experiências e suas ações são literalmente copiadas por ele.

É possível que não tenha percebido isso, mas pode ter comentado com um amigo ou mesmo em casa frases do tipo: “Não tem jeito o João me puxou até nisso, não gosta de ir ao Dentista”, ou ainda uso o famoso “Isso deve ser de família”.

É importante ler as demais dicas e relacionar todas elas para que tenham um melhor resultado e supere essa situação de uma vez por todas.

 

       Segunda dica

#2 –  Identifique qual é o medo dele

Pode ser que essa primeira fase já tenha acontecido e o trauma esteja instalado, de qualquer forma vale a dica para que ele não seja reforçado. Agora vamos a fase de superar esse medo.

No texto “Seus medos podem virar os do seu filho, como saber e evitar?”: você vai ver como identificar seus medos pode afetar a relação e como trabalhar essa emoção com seu filho.

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E agora?

Num momento em que estiverem fazendo algo que não esteja relacionado ao dentista, de preferência uma hora bem alegre ou que esteja junto com seu filho, fazendo alguma coisa, pergunte para ele qual o maior medo dele em relação ao dentista.

Se a pergunta direta não for possível ou não der certo, crie uma história, utilize de algum personagem que ele goste e comesse a associar com o dentista. Não importa qual seja, um herói, uma princesa, uma boneca, associe ao fato dele ir ao dentista e o que ele faria. Possivelmente nessa hora ele vai entregar qual o medo dele.

Esses dias quando fui ao dentista com meu filho senti que ele ficou bem apreensivo como geralmente não ficava. Reforcei tanto coisas boas, que agora ele adora ir fazer limpeza nos dentes e colocar o flúor. Já viu criança pedir para fazer isso? É o Miguel.

No entanto esse dia ele estava bem receoso, os dentes de leite estão caindo e já tem alguns bem molinhos. Percebendo a sua apreensão perguntei se ele estava com medo. Aqui é preciso tomar cuidado, como já trabalho as emoções com o Miguel ele já sabe identificar bem aquelas primárias (alegria, medo, tristeza e raiva).

Se você ainda não fez esse trabalho com o filhote pode utilizar outras estratégias, como perguntar o que está incomodando ele ou mesmo se tem alguma coisa que você pode fazer para acalmar ele em relação à consulta. Nesse momento ele vai começar um diálogo sendo a sua chance de descobrir o trauma.

Enfim, no caminho para o dentista fiz essa pergunta para o Miguel, ele me disse que estava com medo da dentista arrancar um dos seus dentes de leite. Fui explorando a conversa, sem colocar minhas vontades, dando abertura para explorar os sentimentos dele. Até que fechamos da seguinte forma:

Se a odonto pediatra falasse que o dente não precisava ser arrancado poderíamos esperar o tempo que ela indicasse como o mais adequado, mas que teríamos de arrancar juntos se nesse prazo ele não caísse sozinho. Isso porque ele pode começar a atrapalhar o nascimento do outro dente.

Assim descobri o trauma dele, trabalhamos um acordo que atendesse a necessidade dele e a minha, dando a opção de escolha para ele com limites colocados por mim e dentro de algo que fosse saudável para ele.

 

       Terceira dica

#3 – Sempre utilize das intenções positivas

                Você consegue se imaginar levando uma injeção e sendo algo agradável ou só uma picadinha? Acredito que não. O seu filho também não. E porque reforçamos a dor ao invés de trabalhar com o prazer?

É isso mesmo, o seu filho vai aprender o que você ensinar para ele. Portanto, se ao invés de tomar uma injeção, que vai “doer só um pouquinho” você pode falar que ele vai levar uma anestesia que vai fazer a boca dele ficar dormindo e assim não vai sentir nada. E que isso vai acabar com os bichinhos que tem no dente. Ou melhor, muito dentistas falam que vão por o dentinho para dormir.

É claro que ele vai levar a injeção, mas se ele perceber primeiro os efeitos positivos do procedimento vai ser mais fácil tolerar alguma dor para isso. O importante é que ele tenha uma experiência que não gere traumas.

E dessa forma podemos aplicar a outros procedimentos que ocorrem no dentista, como o famoso aparelhinho que é utilizado para tratar os dentes. Se ficar mais fácil associe com alguma história ou experiência que faça sentido para ele e sempre utilizando da intenção positiva do tratamento.

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Essas foram as #3 dicas práticas que utilizei para superar o medo que havia colocado no meu filho sobre o dentista e assim criar uma associação positiva com essa situação que vai ocorrer durante toda a sua vida.

Se você ficou interessado não só nessas dicas, mas como trabalhar seus próprios comportamentos para ampliar a relação com seu filho pode ver outros assuntos nesse vídeo.

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